Fui neta antes de ser filha
Memórias de uma infância salva pelo amor mais simples, o da minha avó. 🍝
🎧 A trilha sonora desse textoterapia é “Melhor que Ontem” – Yago Oproprio
Sabe, eu não me sentia uma criança muito feliz quando pequena.
Tem um quadro do Fábio Porchat no YouTube em que ele pergunta aos convidados:
“Qual é a sua primeira lembrança da infância?”
Essa pergunta vive ecoando na minha cabeça.
Um dia, decidi procurar na minha memória. E o que me veio foi a imagem da minha mãe me dando tchau, na porta da casa onde eu morava com minha avó e mais 6 pessoas.
Eu chorava porque ainda não entendia por que existia uma distância entre mim e meus pais.
Afinal, eu era só uma garotinha.
Mas calma: esse texto não é pra você sentir dó de mim. Meus textos têm essa pegada de textoterapia, onde escrevo pra entender o que sinto e, quem sabe, inspirar o que você sente também.
Se me perguntarem qual é a lembrança mais feliz da minha infância, eu nem preciso pensar: é a imagem da minha avó me dando macarrão, eu sentada no chão da casa onde a gente morava, na Alameda do Aeroporto, em Goiânia no Guanabara.
Minha avó salvou a minha infância de tantas formas que eu nem sei explicar.
Eu não tenho muitas lembranças de ser filha, sabe?
Mas eu fui neta, sobrinha, afilhada e prima.
E fui amada do jeitinho que dava.
A infância é muito louca.
Assim como a vida.
Quando vejo minhas fotos de criança, me transporto direto pra aquela garotinha que amava morar com a avó,
mas que vivia olhando pro portão, ansiosa, esperando o pai aparecer.
E ele aparecia.
Às vezes alegre, às vezes embregado.
E não, esse texto não é sobre julgar a ausência dos meus pais. Hoje entendo que a vida foi dura com eles.
Tão dura que talvez não tivessem forças pra compartilhar aquele tempo comigo.
Minha avó foi e sempre será minha principal referência de amor e cuidado. Mesmo cansada, mesmo depois de criar os filhos, ela arrumou espaço pra me criar também. (Mulher)
Cuidou de mim, me educou, me protegeu.
Fez o corre todo: escola, merenda, carinho, bronca. É impossível escrever sobre a minha vida sem falar dela. Ninguém, pra mim, é mais referência de vida do que ela.
Eu queria poder sentir saudade da minha infância.
Mas não sinto. Sinto saudade dela. Dos momentos que vivi ao lado da minha avó. Muita gente dizia pra ela: “Você não é mãe dessa menina.” E ela nem ligava.
Dividia comigo um amor que eu nem sei de onde tirava,
já que a vida também não tinha sido generosa com ela. Hoje, aos 32 anos, eu não tenho vontade de ter filhos. E já fui muito julgada por isso. Talvez porque eu não tenha me sentido filha, eu ache que não saberia ser mãe. Ou talvez não tenha nada a ver com isso, vai saber, né?
Na minha vida adulta, carrego muitos traços da minha infância.
A solitude é um deles. Eu gosto de ficar sozinha, de ter o meu espaço e o meu tempo. Quando criança, eu não me sentia pertencente ao lugar onde estava. Tinha medo de incomodar.
E cresci assim: tentando não incomodar ninguém,
me virando sozinha, evitando pedir ajuda. Aprendi a me encaixar no mundo do meu jeito meio torto, mas meu. Por muito tempo, doeu escrever sobre a minha infância.
Hoje, não mais. Hoje eu olho pra essa foto que tô com uma cara do tipo
“não direi nada, mas minha expressão facial dirá por mim” (haha)
e percebo: tudo aconteceu como tinha que acontecer. Aquela garotinha que se sentia perdida e deslocada virou uma mulher disposta a viver seus sonhos até a última batida do coração.
Ela nasceu pra dar certo. Essa foto fica aqui, na minha mesa, em cima dos meus livros. De vez em quando, olho pra ela, respiro fundo e penso:
Que orgulho de você, mini Ray. Porque, no fim das contas, ela é minha maior inspiração.
Boladona, cheia de dúvidas,
mas também cheia de fé, gratidão e coragem.
Se você chegou até aqui, não esquece: você também nasceu pra dar certo.
Feliz Dia das Crianças.
Que o nosso coração continue puro, porque de resto, já era. hahaha
Espero que esteja tudo bem com você,
com a sua família, com a sua saúde física, mental e financeira.
Um abraço. 🫰
l’m the leading role


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